Já sinto saudades suas,
mas a eternidade lhe fará bem.
Mestre das palavras ditas e escritas
que deixava no ar como se fossem sonhos,
como se fossem sombras que bailavam sem ter fim.
Era como se todos os dias fossem hoje
e todas as vezes fossem agora.
Teus jeitos de dizer o que queria
provocavam em todos o que você bem sabia:
O bem-estar; e de repente todas aquelas aulas se tornavam a sua.
A eternidade de tuas falas e teus passos sobre o palco,
palco esse feito pra você.
Tua profissão como arte que é,
teu ofício, tua cruz, talvez.
Mas és artista nesse palco de poucos e és rei.
Contavas os dias para que chegasse logo o fim de semana,
como bom boêmio que era,
a sexta era a tua divindade.
Verdade.
Os livros,
os ditos, não-ditos.
Ditados.
Ditongos, não gostava tanto de ortografia,
gramática.
Mas a poesia?
Ah esse sim era teu alimento preciso e rico.
Teu elixir.
Se pensas que deixaste de existir em meu ser,
pensas errado.
Pra sempre carregarei o que és e o que me ensinou.
Julio, meu melhor professor.
Minha pequena homenagem a esse grande homem que deixará saudades.
PS.: Julio foi meu professor de literatura no Etapa durante o ano de 2008. Veio a falecer em março de 2009.