Maneiras
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Raquel Vandromel
on 2/09/2010 11:33:00 AM
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Às vezes me baixa uma senhora com preceitos antigos e regras respeitosas datadas dos 1900. Por onde anda meu corselet?
Às vezes porém fico desfocada no breu da falta de pensamentos escritos. Sou um nada na imensidão do ócio, do imprevisto metódico.
E depois de tanta firula, depois de tanto rodeio, vou embora pensar em algo a menos pra ser mais feliz.
Às vezes porém fico desfocada no breu da falta de pensamentos escritos. Sou um nada na imensidão do ócio, do imprevisto metódico.
E depois de tanta firula, depois de tanto rodeio, vou embora pensar em algo a menos pra ser mais feliz.
Uma pequena homenagem para um grande professor
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Raquel Vandromel
on 10/30/2009 12:55:00 PM
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Já sinto saudades tuas,
mas a eternidade lhe fará bem.
Mestre das palavras ditas e escritas
que deixava no ar como se fossem sonhos,
como se fossem sombras que bailavam sem ter fim.
Era como se todos os dias fossem hoje
e todas as vezes fossem agora.
Teus jeitos de dizer o que queria
provocavam em todos o que você bem sabia:
O bem-estar; e de repente todas aquelas aulas se tornavam a sua.
A eternidade de tuas falas e teus passos sobre o palco,
palco esse feito pra você.
Tua profissão como arte que é,
teu ofício, tua cruz, talvez.
Mas és artista nesse palco de poucos e és rei.
Contavas os dias para que chegasse logo o fim de semana,
como bom boêmio que era,
a sexta era a tua divindade.
Verdade.
Os livros,
os ditos, não-ditos.
Ditados.
Ditongos, não gostava tanto de ortografia,
gramática.
Mas a poesia?
Ah esse sim era teu alimento preciso e rico.
Teu elixir.
Se pensas que deixaste de existir em meu ser,
pensas errado.
Pra sempre carregarei o que és e o que me ensinou.
Julio, meu melhor professor.
Minha pequena homenagem a esse grande homem que deixará saudades.
PS.: Julio foi meu professor de literatura no Etapa durante o ano de 2008. Veio a falecer em março de 2009.
mas a eternidade lhe fará bem.
Mestre das palavras ditas e escritas
que deixava no ar como se fossem sonhos,
como se fossem sombras que bailavam sem ter fim.
Era como se todos os dias fossem hoje
e todas as vezes fossem agora.
Teus jeitos de dizer o que queria
provocavam em todos o que você bem sabia:
O bem-estar; e de repente todas aquelas aulas se tornavam a sua.
A eternidade de tuas falas e teus passos sobre o palco,
palco esse feito pra você.
Tua profissão como arte que é,
teu ofício, tua cruz, talvez.
Mas és artista nesse palco de poucos e és rei.
Contavas os dias para que chegasse logo o fim de semana,
como bom boêmio que era,
a sexta era a tua divindade.
Verdade.
Os livros,
os ditos, não-ditos.
Ditados.
Ditongos, não gostava tanto de ortografia,
gramática.
Mas a poesia?
Ah esse sim era teu alimento preciso e rico.
Teu elixir.
Se pensas que deixaste de existir em meu ser,
pensas errado.
Pra sempre carregarei o que és e o que me ensinou.
Julio, meu melhor professor.
Minha pequena homenagem a esse grande homem que deixará saudades.
PS.: Julio foi meu professor de literatura no Etapa durante o ano de 2008. Veio a falecer em março de 2009.
A última página
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Raquel Vandromel
on 10/28/2009 03:46:00 PM
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Fechara um livro pela última vez por suas mãos. Pronto a desfrutar a eternidade das histórias que sabia de cor. Drummond disse: "Penetra surdamente no reino das palavras" e ele foi, morrer-viver no encantamento. Viver de contos, romances. Padecer no céu do silêncio gritado de tantos amores e dores sufocadas nas páginas que tanto lera.
Morrer já não era medo, era descanso e descaso com quem o pedira tanto para não partir. Morrer era, enfim, fechar a capa do próprio livro depois do último parágrafo completo.
Seu último parágrafo solitário e satisfeito. De um livro de tantas páginas, algumas manchadas, rasgadas, algumas arrancadas e outras apagadas pelo tempo de vida, mas todas escritas e vividas, todas passadas.
Se sua vida fora livro, ou seus livros deram vida a monotonia diária, não sabia, de certo que tudo fora uma coisa só porque pra ele o tempo não passou, apenas as páginas viraram uma a uma. Foi Dom Casmurro, foi Drácula, foi Abelardo I e até Brás Cubas. Até hoje não se sabe quem ele foi ao certo.
Concentração de monge, olhos atentos e rápidos, agora fechados e mergulhados no infinito indescritível e inimaginável chamado morte, indefinido mutável que nem em seus preciosos livros ele pôde descobrir o que era.
Morrer já não era medo, era descanso e descaso com quem o pedira tanto para não partir. Morrer era, enfim, fechar a capa do próprio livro depois do último parágrafo completo.
Seu último parágrafo solitário e satisfeito. De um livro de tantas páginas, algumas manchadas, rasgadas, algumas arrancadas e outras apagadas pelo tempo de vida, mas todas escritas e vividas, todas passadas.
Se sua vida fora livro, ou seus livros deram vida a monotonia diária, não sabia, de certo que tudo fora uma coisa só porque pra ele o tempo não passou, apenas as páginas viraram uma a uma. Foi Dom Casmurro, foi Drácula, foi Abelardo I e até Brás Cubas. Até hoje não se sabe quem ele foi ao certo.
Concentração de monge, olhos atentos e rápidos, agora fechados e mergulhados no infinito indescritível e inimaginável chamado morte, indefinido mutável que nem em seus preciosos livros ele pôde descobrir o que era.
Sobre clichês, letras e sonhos
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Raquel Vandromel
on 10/08/2009 01:40:00 AM
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E ingenuamente pensava e desejava que aquelas estrofes haviam sido escritas para mim. Aquele homem de voz rouca que sensualmente sussurrava tão belas palavras em meus ouvidos transportava minha mente para junto dele, eu sentia que logo meu corpo cederia as sensações criadas por minha fértil imaginação alimentada por melodia branda e provocativa. Certa de que estava entorpecida de vinho, me torturava e contorcia de prazer inventado, de beijos e juras suadas trocadas em meio ao furor tenso e revelador de lençóis amassados e roupas esquecidas num canto qualquer do quarto de tons neutros e mobiliário vitoriano. O sol batia com a leveza do fim de tarde de outono e trazia uma brisa fresca que me provocava mais arrepios dos que já podia sentir percorrendo minha espinha. E como esperado o clichê nos atingiu no auge e então dissemos de lábios inchados um "eu te amo" agraciado e satisfeito. Sentindo seu peso sobre mim, me dei conta que aqueles braços enrolados em minha cintura e aquelas mãos fortes de dedos longos percorrendo as curvas suadas de meu corpo não tinham nada de ilusão.
Puxei, enfim, o ar para que os pulmões funcionassem de forma progressivamente normal e reparei que meus dedos dos pés continuavam curvados.
A musica que ele mesmo havia escrito tocava fazendo trilha sonora aos meus batimentos descompassados e meus olhos incrédulos tentavam enxergar mentira em seus olhos profundos e tudo que encontrei foi ardor. Intensidade que me queimou a nuca ao pensar o quanto aquilo poderia ir longe e o quanto eu era louca e extremamente competente em estar ali com um homem tão cobiçado que me queria tanto quanto eu o desejava. Ainda parecia mentira, ainda me achava embriagada. Pouco me importava se ele me amava ou não. Ele me queria e eu o queria em mim. Se havíamos pronunciado juras de amor eterno anteriormente não me importava que depois nada disso fosse cumprido, também não me interessava se aquelas músicas que tocavam ao fundo haviam sido escritas para outras mulheres que vieram antes de mim, por instantes era como se ele havia as escrito para mim. Nada importava além daquele momento. Nada além de nós dois e nosso silêncio que acusava nosso cansaço satisfeito.
Recusava-me a pensar em romance e em quando ele partiria para mais uma de suas turnês pelo mundo. Recusava-me a pensar em sofrer, até porque não era romance e eu não o amava, eu amava ele em mim.
Eu o conhecia a mais tempo do que ele sabia de minha existência, eu me colocava em cada verso em que ele referia-se a alguma garota de corpo perfeito e de tantas vezes que havia me imaginado exatamente ali onde eu estava agora. Ele me olhava quieto, como se eu fosse paisagem a ser admirada, me olhava como se eu fosse a tal garota de pele de porcelana da qual ele nunca deixaria que pousasse na cama sem que suas mãos amparassem sua queda.
E me veio a cabeça se ele escreveria uma musica pra mim ou eu seria apenas mais uma. E me vieram as lágrimas que engoli sem pestanejar, mas ele percebeu. Por mais que tentasse não pensar em como estava ali e o porquê, não conseguia me livrar da solidão de estar em companhia perfeita sem sentimento recíproco. Como podia ser tão contra minhas próprias vontades de amar e ser amada naquele momento? Eu como culpada eterna que sou me sentia vendida. Adormeci a drama-queen que existe dentro de mim e tentei pensar racionalmente, sem hesitar levantei e juntei as peças jogadas no chão de madeira meticulosamente encerado. Vesti-me sem coragem de olhar para trás. Derrubei uma pequena caixa que se encontrava em cima da mesa, não precisei de mais nada para finalmente derramar as lágrimas que me desesperavam. Eu não sabia o que estava acontecendo, ou sabia e não queria acreditar.
Senti seus braços apertarem em volta dos meus e nem soube como ele havia chegado lá, já que da última vez que olhei ele estava deitado na cama.
Sussurrou com voz rouca de quem havia acabado de se levantar, mas que carregava certa tensão na voz:
- Não vai a lugar algum.
Pedi silenciosamente que me deixasse partir, mas tudo que consegui como resposta foi um beijo no pescoço e mais um sussurro ao pé do ouvido:
- Acha mesmo que tudo termina aqui?
Achava. Tinha de terminar ali. Nem eu nem ele estavam preparados para tristezas. Eu não queria ser uma canção sobre rompimentos e feridas mal curadas em sua carreira. E por mais que ele negasse, eu saberia se fosse.
Tentei mais uma vez sair, em vão.
- Por favor, não faça disso um motivo de arrependimento. Não estrague o que foi bom.
- Você acha mesmo que vai sair daqui e pronto, acabou?
- Isso depende de você me deixar ir em paz.
- Sem chance.
- O que?
- Eu sei o que está passando pela sua cabeça e posso muito bem lidar com isso.
- Agora você advinha pensamentos?
- Agora você é grossa?
- Isso não vem ao caso, você só está tornando as coisas mais difíceis.
- Não, você é que está, me pareceu bem óbvio o que eu quero de nós.
Onde ele queria chegar com essa história? Não tinha amor. Eram só duas pessoas sendo felizes.
- Não entendo e também não quero.
- Não precisa.
Não precisei entender, ele me fez sentir e eu dificilmente conseguiria apagar o que dentro de mim havia nascido ali e me peguei imaginando como seria dali em diante.
PS.: Se gostarem e acharem que devo continuar...posso tentar fazer mais uns "capítulos"...
PS.: Isso que escrevi aí é inspirado num cantor...pelo menos foi ele que eu imaginei e era ele que estava tocando no mp3 qndo escrevi, quem conhecer bem as músicas dele logo saca quem é, eu dou uma dica muito na cara dura...se ninguém advinhar, eu dogo depois...
Puxei, enfim, o ar para que os pulmões funcionassem de forma progressivamente normal e reparei que meus dedos dos pés continuavam curvados.
A musica que ele mesmo havia escrito tocava fazendo trilha sonora aos meus batimentos descompassados e meus olhos incrédulos tentavam enxergar mentira em seus olhos profundos e tudo que encontrei foi ardor. Intensidade que me queimou a nuca ao pensar o quanto aquilo poderia ir longe e o quanto eu era louca e extremamente competente em estar ali com um homem tão cobiçado que me queria tanto quanto eu o desejava. Ainda parecia mentira, ainda me achava embriagada. Pouco me importava se ele me amava ou não. Ele me queria e eu o queria em mim. Se havíamos pronunciado juras de amor eterno anteriormente não me importava que depois nada disso fosse cumprido, também não me interessava se aquelas músicas que tocavam ao fundo haviam sido escritas para outras mulheres que vieram antes de mim, por instantes era como se ele havia as escrito para mim. Nada importava além daquele momento. Nada além de nós dois e nosso silêncio que acusava nosso cansaço satisfeito.
Recusava-me a pensar em romance e em quando ele partiria para mais uma de suas turnês pelo mundo. Recusava-me a pensar em sofrer, até porque não era romance e eu não o amava, eu amava ele em mim.
Eu o conhecia a mais tempo do que ele sabia de minha existência, eu me colocava em cada verso em que ele referia-se a alguma garota de corpo perfeito e de tantas vezes que havia me imaginado exatamente ali onde eu estava agora. Ele me olhava quieto, como se eu fosse paisagem a ser admirada, me olhava como se eu fosse a tal garota de pele de porcelana da qual ele nunca deixaria que pousasse na cama sem que suas mãos amparassem sua queda.
E me veio a cabeça se ele escreveria uma musica pra mim ou eu seria apenas mais uma. E me vieram as lágrimas que engoli sem pestanejar, mas ele percebeu. Por mais que tentasse não pensar em como estava ali e o porquê, não conseguia me livrar da solidão de estar em companhia perfeita sem sentimento recíproco. Como podia ser tão contra minhas próprias vontades de amar e ser amada naquele momento? Eu como culpada eterna que sou me sentia vendida. Adormeci a drama-queen que existe dentro de mim e tentei pensar racionalmente, sem hesitar levantei e juntei as peças jogadas no chão de madeira meticulosamente encerado. Vesti-me sem coragem de olhar para trás. Derrubei uma pequena caixa que se encontrava em cima da mesa, não precisei de mais nada para finalmente derramar as lágrimas que me desesperavam. Eu não sabia o que estava acontecendo, ou sabia e não queria acreditar.
Senti seus braços apertarem em volta dos meus e nem soube como ele havia chegado lá, já que da última vez que olhei ele estava deitado na cama.
Sussurrou com voz rouca de quem havia acabado de se levantar, mas que carregava certa tensão na voz:
- Não vai a lugar algum.
Pedi silenciosamente que me deixasse partir, mas tudo que consegui como resposta foi um beijo no pescoço e mais um sussurro ao pé do ouvido:
- Acha mesmo que tudo termina aqui?
Achava. Tinha de terminar ali. Nem eu nem ele estavam preparados para tristezas. Eu não queria ser uma canção sobre rompimentos e feridas mal curadas em sua carreira. E por mais que ele negasse, eu saberia se fosse.
Tentei mais uma vez sair, em vão.
- Por favor, não faça disso um motivo de arrependimento. Não estrague o que foi bom.
- Você acha mesmo que vai sair daqui e pronto, acabou?
- Isso depende de você me deixar ir em paz.
- Sem chance.
- O que?
- Eu sei o que está passando pela sua cabeça e posso muito bem lidar com isso.
- Agora você advinha pensamentos?
- Agora você é grossa?
- Isso não vem ao caso, você só está tornando as coisas mais difíceis.
- Não, você é que está, me pareceu bem óbvio o que eu quero de nós.
Onde ele queria chegar com essa história? Não tinha amor. Eram só duas pessoas sendo felizes.
- Não entendo e também não quero.
- Não precisa.
Não precisei entender, ele me fez sentir e eu dificilmente conseguiria apagar o que dentro de mim havia nascido ali e me peguei imaginando como seria dali em diante.
PS.: Se gostarem e acharem que devo continuar...posso tentar fazer mais uns "capítulos"...
PS.: Isso que escrevi aí é inspirado num cantor...pelo menos foi ele que eu imaginei e era ele que estava tocando no mp3 qndo escrevi, quem conhecer bem as músicas dele logo saca quem é, eu dou uma dica muito na cara dura...se ninguém advinhar, eu dogo depois...
Poeta do lixo
Postado por
Raquel Vandromel
on 9/22/2009 11:39:00 PM
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Não, não e não!
Maneira errada de se começar do zero.
Repudia-me o fato de começar errado
e quebrar a linha envolta nos pensamentos.
Não há, enfim
uma aura a prova de balas passando por mim,
só o acaso; E a bala perdida me atinge
e íngreme caio e íngreme desço em direção ao desconhecido
e então subo ao pico do susto e o sopro me atinge.
Morri? Não, mas padeci estranha entre o não-visto e o o mais remoto embaraço.
E então me fiz poeta do lixo,
me vi recolhendo fragmentos escritos
e outros de mim.
Foi susto, perturbador:
me descubro nascendo pra isso,
morrendo pro mundo,
vivendo então.
Maneira errada de se começar do zero.
Repudia-me o fato de começar errado
e quebrar a linha envolta nos pensamentos.
Não há, enfim
uma aura a prova de balas passando por mim,
só o acaso; E a bala perdida me atinge
e íngreme caio e íngreme desço em direção ao desconhecido
e então subo ao pico do susto e o sopro me atinge.
Morri? Não, mas padeci estranha entre o não-visto e o o mais remoto embaraço.
E então me fiz poeta do lixo,
me vi recolhendo fragmentos escritos
e outros de mim.
Foi susto, perturbador:
me descubro nascendo pra isso,
morrendo pro mundo,
vivendo então.
Postado por
Raquel Vandromel
on 8/13/2009 11:09:00 AM
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E o tempo passou
o pranto secou
amadureceu
mas não se esqueceu.
Ficou
partiu
mandou buscar a felicidade
que não encontrava por lá.
Tentou
tentou
mas sempre que tinha
perdia vontade de continuar.
o pranto secou
amadureceu
mas não se esqueceu.
Ficou
partiu
mandou buscar a felicidade
que não encontrava por lá.
Tentou
tentou
mas sempre que tinha
perdia vontade de continuar.
Tons e sons
Postado por
Raquel Vandromel
on 8/03/2009 12:54:00 PM
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Comments: (0)
O céu estava dramaticamente cinza, preparando-se para desabar. E eu dentro do carro, parada no trânsito, no meio da metrópole cheia de sombras. Lou Reed tocava no rádio chiado pela interferência das antenas. Minha pressa se misturava com a ansiedade de chegar em casa. Meus olhos percorriam sem razão os primeiros pingos que caiam sobre o vidro deixando rastros por onde passavam. De um tom chumbo as nuvens escureciam ainda mais o dia que já estava no final. O cheiro de dióxido de carbono e enxofre enchiam meus pulmões que a muito não sentiam o cheiro de chuva ácida da cidade de São Paulo. Perdi o momento por alguns segundos, o rádio logo me avisou que o trânsito estava insuportável, não era novidade pra mim. Minha vontade era de abrir a porta e correr em direção ao apartamento, em direção ao lugar que me deixava segura e confortável depois de um dia sem cor como aquele.
O semáforo abriu e saí com o carro, fui fechada por um apressadinho, mal educado que me proferiu palavras nem tão agradáveis aos ouvidos alheios. Sorri e deixei ele ir.
Estacionar na garagem escura do prédio era uma das melhores sensações que eu podia ter naquele momento. A sensação de casa, de intimidade. Entrei no elevador, a demora tentadora me deixava mais apreensiva e sagaz. Todos os sentidos em alerta e o coração disparando batidas pra todos os lados. A dor prazerosa no estômago que se apertava evitando que as borboletas se espalhassem dentro de mim, elas batiam vorazmente as asas tentando se libertar.
12º andar. Desci. Andei com o passo cadenciado até a porta branca do 122. Enfim em casa. Procurei minhas chaves dentro da bolsa, o barulho denunciava sua localização.
O encaixe da chave na fechadura me fez tremer. Abri a porta, joguei a bolsa no sofá. Tirei os sapatos vermelhos altos que me mantinham centímetros longe do chão gelado. O piso cinza, as paredes brancas e tudo denunciava meu torpor. Andei até a cozinha, parei no batente. O pacote estava em cima da mesa da cozinha, um quadrado de papel pardo esperando para ser aberto. Fingi que não o vi e continuei andando, abri o armário, peguei uma taça solitária, fui a pia, peguei a garrafa de vinho e enchi a taça. Virei em direção a sala. Parei na beira da mesa. Havia um bilhete escrito a punho, eu conhecia aquela letra apressada, transpirava testosterona daquelas letras borradas, dizia:
“Aprecie sem moderação. Te amo. Ass.: Ângelo."
Peguei o pacote, a garrafa e a taça, caminhei em direção a sala como se o momento fosse eterno, sem pressa. A ansiedade já tinha corroído meus pensamentos e sentidos. Pensei nele. Pensei em mim. Em nós. Então parei de pensar.
A chuva caía insistentemente na janela, fazia barulhos altos que soavam como sinfonia a minha tensão. Abri o pacote pardo, a capa em tons de preto, branco e todas as variações de cinza estava lá. Abri a caixa e tirei o cd de dentro. Não havia tempo de olhar a relação de músicas ou o encarte. Levei a taça a boca e o cd ao aparelho, puxei meus grandes fones de ouvido. Iniciaria ali meu ritual sentimental ao ouvir um novo disco. Deslizei meu corpo até o piso frio da sala escura, coloquei meus fones, puxei minha taça, respirei fundo e dei início ao disco. Fui arrebatada por algo que não saberia explicar nem agora, nem nunca. Meu cenário, minha chuva, minha sala, meu vinho e meus ouvidos. Fechei os olhos e deixei que a música me levasse e me lavasse com a água e o vinho que caiam em mim...chuva? Não...ele me olhava com os cabelos molhados e os olhos cheios de algo que eu sabia bem o que era. o chão antes cinza tomava um tom avermelhado pelo vinho derramado que avançava no tapete banco. Eu sentada no chão com ele aos meu pés completamente ensopado. Eu, ele...a música e a chuva...
O semáforo abriu e saí com o carro, fui fechada por um apressadinho, mal educado que me proferiu palavras nem tão agradáveis aos ouvidos alheios. Sorri e deixei ele ir.
Estacionar na garagem escura do prédio era uma das melhores sensações que eu podia ter naquele momento. A sensação de casa, de intimidade. Entrei no elevador, a demora tentadora me deixava mais apreensiva e sagaz. Todos os sentidos em alerta e o coração disparando batidas pra todos os lados. A dor prazerosa no estômago que se apertava evitando que as borboletas se espalhassem dentro de mim, elas batiam vorazmente as asas tentando se libertar.
12º andar. Desci. Andei com o passo cadenciado até a porta branca do 122. Enfim em casa. Procurei minhas chaves dentro da bolsa, o barulho denunciava sua localização.
O encaixe da chave na fechadura me fez tremer. Abri a porta, joguei a bolsa no sofá. Tirei os sapatos vermelhos altos que me mantinham centímetros longe do chão gelado. O piso cinza, as paredes brancas e tudo denunciava meu torpor. Andei até a cozinha, parei no batente. O pacote estava em cima da mesa da cozinha, um quadrado de papel pardo esperando para ser aberto. Fingi que não o vi e continuei andando, abri o armário, peguei uma taça solitária, fui a pia, peguei a garrafa de vinho e enchi a taça. Virei em direção a sala. Parei na beira da mesa. Havia um bilhete escrito a punho, eu conhecia aquela letra apressada, transpirava testosterona daquelas letras borradas, dizia:
“Aprecie sem moderação. Te amo. Ass.: Ângelo."
Peguei o pacote, a garrafa e a taça, caminhei em direção a sala como se o momento fosse eterno, sem pressa. A ansiedade já tinha corroído meus pensamentos e sentidos. Pensei nele. Pensei em mim. Em nós. Então parei de pensar.
A chuva caía insistentemente na janela, fazia barulhos altos que soavam como sinfonia a minha tensão. Abri o pacote pardo, a capa em tons de preto, branco e todas as variações de cinza estava lá. Abri a caixa e tirei o cd de dentro. Não havia tempo de olhar a relação de músicas ou o encarte. Levei a taça a boca e o cd ao aparelho, puxei meus grandes fones de ouvido. Iniciaria ali meu ritual sentimental ao ouvir um novo disco. Deslizei meu corpo até o piso frio da sala escura, coloquei meus fones, puxei minha taça, respirei fundo e dei início ao disco. Fui arrebatada por algo que não saberia explicar nem agora, nem nunca. Meu cenário, minha chuva, minha sala, meu vinho e meus ouvidos. Fechei os olhos e deixei que a música me levasse e me lavasse com a água e o vinho que caiam em mim...chuva? Não...ele me olhava com os cabelos molhados e os olhos cheios de algo que eu sabia bem o que era. o chão antes cinza tomava um tom avermelhado pelo vinho derramado que avançava no tapete banco. Eu sentada no chão com ele aos meu pés completamente ensopado. Eu, ele...a música e a chuva...